terça-feira, 18 de agosto de 2015

♫ Debaixo dos caracóis dos seus cabelos...♪


Quem me conhece sabe que não sou muito tanto quase nada vaidosa. Quando necessário uso umas roupas bacaninhas, prefiro sempre o conforto em peças do vestuário, gosto de me lambuzar com uns poucos produtinhos que protegem a pele (ex. protetores solares e hidratantes), no quesito maquiagem me restrinjo ao velho batom de guerra e, em algumas ocasiões, um delineador pra 'deixar o olhar marcante'. No entanto, a maior parte do orçamento em estética é, sem dúvida, investido no cabelo...

Em março deste ano postei no meu finado face:

Um anúncio publicitário que me emocionou, pela identificação, pela valorização, por fazer refletir no que acredito atualmente.
Comecei a alisar meu cabelo muito cedo, aos 13, 14... Odiava os cachos, odiava o crespo... enfim, não tinha amor pela minha cabeleira.
Só durante a gravidez, impedida de alisar ou colocar qualquer química no cabelón, refleti sobre essa trajetória, o tanto do meu eu que tinha ficado lá atrás, do quanto isso negava minha identidade negra e, principalmente, de como transferir esse orgulho na aceitação dos cachos por minha filha.

Hoje, novamente cacheada, sou sincera em dizer que amo cachos, não pretendo voltar a alisar e, mesmo naqueles dias mais desgrenhados, agradeço por tê-los exatamente assim.

Publicitários brasileiros, aprendam! Ultimamente as campanhas nacionais têm ido na contramão do que o mundo pede.


[pausa dramática]

#sentaquelavemestoria

Alisei as madeixas desde a adolescência. E assim continuei minha árdua saga em estirar as madeixas à base de todo produto milagroso que surgia do momento. Sobrevivi aos subversivos que faziam esvaziar os salões por conta do cheiro forte. Passei pelas progressivas, testei várias até engatar na minha fase mais madura (cof! cof!), quando parti sem medo pras queridinhas selagens térmicas. Até que engravidei, quando me ocorreram as reflexões acima.


Enfim, todo esse papo é pra dizer que assumir os caracóis, lindamente cantados por Roberto, chega a ser um pacto numa irmandade. De longe, prefiro as madeixas cacheadas, com muito volume e cheio de forma. Entretanto, o custo para se conseguir isso vai muito além do quesito financeiro, chegando a atingir níveis espirituais!


Ao abolir as químicas capilares, desejei que o cabelón voltasse ao 'natural' saudável como outrora. Engano total! Foi quando investi num Cronograma Capilar, que é a programação das etapas de reposição hídrica (hidratação), lipídica (NUTRIÇÃO) e proteica (RECONSTRUÇÃO). Em síntese, o aspecto do fio é definido pelo fator entre perdas e reposição de nutrientes, que deve seguir ciclos para melhor resultado. 

Para saber qual a carência do seu fio é preciso analisar elasticidade, força, resistência e vitalidade. No início foi difícil definir meu Cronograma porque meu cabelo estava estupidamente seco, quebradiço e sem elasticidade. Mal conseguia fazer o teste do fio. Então, comecei com o mais básico:

Cronograma Capilar Básico. Fonte: A autora.

H = Hidrataçao
N = Nutrição (eu sempre fazia junto com Umectação - com óleo de côco ou azeite, recomenda-se intercalar a combinação U + N) 
R = Reconstrução

Há variações conforme o caso e tipo do cabelo. Atualmente, faço apenas uma hidratação semanal combinada à nutrição e continuo com uma reconstrução mensal (não se pode exagerar nessa etapa, então prefiro reduzir e já cheguei a eliminar em meses que percebi uma boa elasticidade dos fios).

Infográfico com dicas de Como saber se o cabelo precisa de H, N ou R. Fonte: http://jurovalendo.com.br/


Para seguir o cronograma, deve-se seguir a sequência H, N e R, sempre com lavagens com shampoo habitual. Nesse caso, descobri o ciclo vicioso constituído por shampoos a base de sulfato e produtos derivados de petróleo (petrolato, óleos minerais, vaselina, parafina líquida) ou silicones não solúveis em água causadores de muitos danos para as cacheadas. Para entender, foi fundamental a participação no grupo do facebook No e Low Poo para iniciantes. Super-resumido:
  • No-poo: corta-se totalmente o uso de sulfatos, assim como substâncias insolúveis em água, ou seja, não se usa shampoo.
  • Low-poo: utiliza-se shampoos sem sulfatos, com substâncias que não agridem os fios.
  • Co-Wash: por não usar shampoo ou reduzir seu uso nas técnicas acima, é também empregada a lavagem com condicionador (que não tem petrolatos nem silicones insolúveis).
Quer se aprofundar no assunto? Entra no grupo que indiquei aí em cima, ou ainda acessa o blog Cacheia que sigo no insta, ou melhor se joga na loja do Meu Cabelo Natural pra conhecer/entender muitos dos produtos liberados.



Hoje, sou satisfeita com os meus cachos, sigo o Low-poo dentro de um Calendário mais enxuto e priorizo produtos com substâncias mais naturais (inclusive com misturinhas caseiras). Apesar de exigir cuidados diários mais intensos, atualmente meus fios são muito mais saudáveis. 

Mãe e filha cacheadas - Março/2015. Fonte: Arquivo pessoal.

Em postagens futuras apresentarei alguns produtos e receitas que já utilizei e os respectivos resultados. 
Beijos

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Greve nas IFES: dois meses de luta e modesto avanço


Há dois meses em greve dos técnicos-administrativos (TAEs) das instituições federais de ensino superior (IFES) e a proposta do governo duas vezes apresentada à mesa de negociações é, no mínimo, perturbadora. A última reunião, ocorrida no último dia 23 entre FASUBRA, MEC e Planejamento pode ser resumida no vídeo:




Nele, fica clara a resistência do Planejamento em atender pontos da pauta de reivindicações que venham a comprometer as ações do pacote de Ajuste Fiscal recém apresentado pelo governo. 

Na prática, é oferecido um reajuste de 21,3% parcelado até 2019 (bem distante do índice linear de 27,3% esperados para 2016, correspondendo às perdas dos últimos quatro anos), mais índices expressivos sobre os benefícios (que, ainda assim, não resulta na tão esperada isonomia entre os poderes). Os demais pontos de debate tendem a questões que não ocasionem impacto financeiro (próximo de zero ???), como é o caso da jornada contínua que institui a carga horária de 30 horas sem redução salarial. Prevê ainda o absurdo em aplicar regras distintas para universidades e institutos de educação, dentre outros itens que tendem a descaracterizar os eixos temáticos de reivindicação.

Desse modo, o governo não só despreza a reposição salario dos servidores como também promove a possibilidade de achatamento nos próximos anos, visto que a previsão de inflação para o próximo ano é bem superior à primeira parcela de reajuste :((. Ou seja, não há espaço para discussão/proposição em instituir data-base no serviço público, paridade entre ativos e aposentados. 

No que tange ao impacto no orçamento, vale lembrar que enquanto o reajuste nos salário das 'autoridades' dos três poderes resultou em quase R$ 4 Bi, para todas as categorias de funcionalismo não chega à metade desse valor.

Há um avanço tímido entre as reuniões propositoras e muda a lógica do tudo ou nada, quando reconhece estarem dispostos a rever o ponto mais polêmico, quando observam que todas as entidades não devem acatar o parcelamento de reajuste em 4 anos.

Assim, é imperativo o envolvimento de todos em ações que repercutam e sensibilizem a população no sentido de aumentar a qualidade dos serviços públicos prestados. O processo negocial deve prosseguir até meados de agosto, quando as correlações de forças devem determinar o avanço da pauta.

A adesão de outras IFES e categorias de servidores públicos é imprescindível para a efetividade das conquistas dessa campanha. Nessa luta, o sabor da vitória será melhor degustado por aqueles que se engajarem e souberem respeitar a conjuntura em que estamos inseridos.



#negociaDilma # greve #taes #ifes #agrevecontinua #naovamosdesistir

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Férias de Julho em João Pessoa - Lazer e Dicas Culturais


O entretenimento disponível para as férias do mês de Julho em João Pessoa não é tão sortido quantos as de verão, mas reunindo diversidade de atrações, inclusive em cidades próximas, é possível garantir o lazer nosso de cada dia.

Seguem algumas opções de lazer e dicas culturais, especialmente, coletadas pra você:


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 ♦ O que?    Exposição Narrativas Poéticas 
Obras de Portinari, Di Cavalcanti e Volpi, assim como poemas de Augusto dos Anjos, Arnaldo Antunes e Mário de Andrade
 ♦ Onde?     Galeria Archidy Picado - Espaço Cultural
 ♦ Quando? De 17 de Junho até 16 de Agosto 
 ♦ Mais:      Notícia

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 ♦ O que?    Tulipa Ruiz
Tulipa retorna à Paraíba em turnê do seu terceiro disco Dancê, com participação da banda Cabruêra.
 ♦ Onde?     Centro Cultural Piollin
 ♦ Quando? 11 de Julho
 ♦ Mais:      Instagram | Ingressos | Produção Jampa Art Music



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 ♦ O que?    Festa Velvet
Mais uma edição da descontraída festa com discotecagem de djs
 ♦ Onde?     Vila do Porto
 ♦ Quando? 17 de Julho
 ♦ Mais:      Notícia

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 ♦ O que?    Tiê
Cantora vem, novamente, a João Pessoa em turnê Esmeraldas.
 ♦ Onde?     Centro Cultural Piollin
 ♦ Quando? 01 de Agosto
 ♦ Mais:      Notícia | Página oficial

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 ♦ O que?    Caminhos do Frio 2015
Evento da região do Brejo Paraibano que ocorre me sete cidades que compõem a rota cultural
 ♦ Onde?     Areia, Pilões, Solânea, Serraria, Bananeiras, Alagoa Nova e Alagoa Grande
 ♦ Quando? De 13 de Julho a 30 de Agosto
 ♦ Mais:      Programação

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 ♦ O que?    O Maior São João do Mundo
Para quem perdeu as festas juninas, a farra se estende até o início de Julho a poucos quilômetros da capital.
 ♦ Onde?     Parque do Povo - Campina Grande
 ♦ Quando? De 05 de Junho até 05 de Julho 
 ♦ Mais:      Programação

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 ♦ O que?    Curso de artes circenses 
As inscrições estão abertas para adultos e crianças nessa edição férias promovida pela Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc) 
 ♦ Onde?     Espaço Cultural
 ♦ Quando? A partir de 07 de Julho
 ♦ Mais:      Instagram | Notícia

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 ♦ O que?    Curso de Astronomia Básica
Estão sendo disponibilizadas 30 vagas. As inscrições são gratuitas e podem participar do curso crianças, com idade mínima de 10 anos, adolescentes e adultos. 
 ♦ Onde?     Estação Cabo Branco - Ciência, Cultura e Arte
 ♦ Quando? De 02 a 28 de Julho
 ♦ Mais:      Inscrições e Contato

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 ♦ O que?    Exposições na Estação
Pelo menos quatro exposições estarão abertas à visitação na estação: Arte da MataMilagres do SertaoPercy Fragoso e Mostra de Desenhos José da Costa Leite.
 ♦ Onde?     Estação Cabo Branco - Ciência, Cultura e Arte
 ♦ Quando? Até final de Julho
 ♦ Mais:      Contato

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 ♦ O que?    Espetáculo "Somos Assim, Após o Sim"
Com o Ator e Humorista Márcio Tadeu, texto e direção de Hugo Leandro,roteirista do canal Multishow.
 ♦ Onde?     Teatro Ednaldo do Egypto, Manaíra
 ♦ Quando? Dias 9, 10 e 11 de Julho, às 20.30h
 ♦ Mais:      Instagram

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 ♦ O que?    Festival do Rock Gospel - Holiday Musica Festival
Para o público que aprecia música Gospel haverá evento exclusivo durante finais de semana do mês.
 ♦ Onde?     Arena Gospel House, Funcionários II
 ♦ Quando? Dias 04 e 11 de Julho
 ♦ Mais:      Produção | Ingressos | Facebook

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 ♦ O que?    Cinema
Várias estreias de diversos gêneros estão agendadas para as salas da capital.
 ♦ Onde?     Cinespaço (Mag Shopping) | CineSercla (Shopping Tambiá) | Cinépolis (Manaíra Shopping)
 ♦ Quando? Julho-Agosto


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Legal, né?! Pensando bem, até que a programação está bem recheada. 

E você? Conhece outros eventos e dicas que esquecemos? Conta pra gente!




terça-feira, 2 de junho de 2015

Junho das chuvas, dos Santos e do forró



Todo tempo quanto houver pra mim é pouco 
Pra dançar com meu benzinho numa sala de reboco ♪


 ... nem percebemos e já chegamos ao mês de Junho, quando as chuvas caem de verdade no Nordeste brasileiro e trazem junto as festividades mais aguardadas da região. Essas são celebradas, principalmente, nas datas de Santo Antônio (13), São João (24) e São Pedro (29). 


Pirâmide do Parque do Povo Campina Grande/PB. Fonte: Rafael Melo/G1


As tradições incluem fogueiras, trajes típicos, deliciosas comidas de milho (a exemplo da pamonha, canjica e bolo), fogos de artifício, bandeirolas coloridas, animadas quadrilhas (dança que, normalmente, encena o casamento na roça mas tem ampliado a temática nas competições mais modernas) e brincadeiras populares, tais como o pau de sebo, pescaria e correio elegante.


Tradicional Casamento na Roça. Fonte: MaisPB


Interpretação de Temas pelas Quadrilhas Juninas. Fonte: Rafael Passo/PMJP


Sanfona, triângulo e zabumba são os instrumentos que dão o tom do arrasta-pé. Sendo o forró, o baião, o xaxado e o xote os ritmos que embalam a festa, com destaque para a música de Luiz Gonzaga.

Colorido dos Trajes e Decoração Encantam nas Festas Juninas. Fonte: Rafael Passo/PMJP

É um período ímpar para o povo nordestino, em que a forte cultura é destaque na agenda de eventos que atraem turistas por diversos roteiros. Abaixo, cito alguns mais populares para ajudar aqueles que ainda não se decidiram:


  • O Maior São João do Mundo


Título concedido ao São João de Campina Grande, na Paraíba, se estende por 30 dias com atrações diversas, como corridas, exposições, casamento coletivo, trem de forró até a cidade de Galante e shows abertos ou em casas particulares.

A programação deste ano concentra-se entre os dias 05 de junho e 05 de julho.

  • A Capital do Forró


Desde o fim de maio os festejos da cidade de Caruaru no agreste pernambucano homenageiam figuras ilustres do estado. Há festival gastronômico e espetáculos distribuídos nos pólos até a festa de São Pedro.


  • São João no Brejo Paraibano


Apesar do clima mais frio, as cidades de Bananeiras e Solânea no brejo paraibano, concentram milhares de forrozeiros. Prioriza o forró pé-de-serra e costumes familiares.

  • São João na Bahia


Durante os dias de São João, também há calendário de festas nas cidades do interior da Bahia.


  • São João Alternativo


Quem não abre mão da tradição junina mas aprecia outros gêneros musicais também tem seu espaço reservado na terceira edição do São João Alternativo de Patos, na Paraíba.



E, você, já tem destino durante as festas juninas? Compartilha com a gente!



Alavantú! Anarriê! Balancêeee! Fonte: Rafael Passos/Secom-JP

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Aderir ou não à Greve, eis a questão...



Pois é, não teve jeito! Hoje, se iniciou a greve de servidores de instituições públicas de ensino superior em todo o Brasil.



Nem pretendo discutir sobre o quanto o interrompimento dos trabalhos é prejudicial para milhares de discentes, seria chover no molhado. O ponto de questão aqui é quando a total paralisação de atividades deveria ocorrer? E assim, talvez, ampliar o debate sobre a adesão ao movimento.




Partindo das declarações do ministro da Educação, Renato Janine,  sobre não terem sido esgotados os canais de negociação que justifiquem o momento da greve preciso dizer que são de natureza, no mínimo, canalha. Explico:


  • Ao contrário de alguns comentários bobocas e restritos que representam o livre pensar quanto ao 'oportunismo' de data, é sensato lembrar alguns dos eventos que antecederam;
  • O último aumento da categoria foi arrancado do dado pelo governo em 2012, após extenso calendário de paralisações. À época, os incríveis 15,8% concedidos em três suaves parcelas nos anos seguintes foram obtidos graças à unidade da categoria porém não foi suficiente para repor as perdas dos anos anteriores. Praticamente nenhuma outra pauta foi contemplada no então acordo;
  • Sem resposta à pauta de reivindicações e pelo descumprimento de termos do acordo por parte do governo, não restou outra alternativa aos servidores a não ser mobilizar novos embates que culminaram em greve no ano de 2014;
  • Seguiram-se várias reuniões com os ministérios, sem acordo. A agenda de paralisações que mobilizaram a categoria em todo o Brasil cresceu;
  • A pauta de reivindicações é extensa, mas o principal item da campanha 2015 tira do governo o poder de barganha que leva à recorrência no interrompimento dos serviços: política salarial permanente com instituição da Data-base. Em contraponto, as propostas se resumem ao reajuste de benefícios e, ainda assim, bem abaixo dos mesmos concedidos nos demais poderes.

Enfim, longe de abarcar todos os eventos dessa longa história e menos ainda de incitar ao linchamento moral de figuras públicas, as lutas passadas refletem o desprezo do Estado aos seus próprios atuadores e, portanto, carecem novas estratégias de embate.


De modo a atender minimamente ao interesse coletivo deve ser mantida a essencialidade dos serviço. Por outro lado, as manifestações devem ser publicizadas com ações sincronizadas da base que garantam o sucesso do movimento.









#negociadilma #greve #taes #ifes


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ATUALIZAÇÕES:


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terça-feira, 26 de maio de 2015

Quem enxerga poesia e se alimenta de música nunca se entedia...



Fugiu. Porque não queria morrer.
Vivia. Em tortura por lembrar.
Sorriu. Na ironia de se consumir.
Melhor. Ao infinito pertencer.

Fabiana Nascimento (14/05/2015)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Lembranças do dia em que nasci...


Por essa semana andei completando ano e antes da data preferi suprimir o dia em redes sociais diversas. Não que me importune com as congratulações ou seja uma chata de galocha metida a eremita. Muito pelo contrário, gosto das felicitações e todo auê que envolve a data de meu aniversário, fazia até baladas outrora, mas precisava de uma passagem reflexiva, de busca de um EU meio esquecido, talvez até suprimido. E quaisquer distrações muito atuais poderiam impedir o exercício ... estava certa! Pratiquem e apreciem as descobertas de seu EU há muito esquecido. Eis parte das minhas...



Há pouco mais de 35 anos, uma jovem de família religiosa se viu há espera de um bebê não planejado. Estava em um relacionamento sério com outro jovem, engenheiro recém-graduado, ainda não empregado, porém sem a oficialização matrimonial entre os amantes. Provavelmente, foi um choque para os pais que tinham outros planos para a caçula dos sete filhos.




Apressou-se o casório, os conformes e o abrigo. Na sequência, novo enxoval, seria menina! Grandes transformações, muitas responsabilidades. Imaginei os temores dessa jovem, como ela se sentia, haveria amparo, seria feliz?...




Chegada as dores do parto, foi levada numa manhã ao grupamento de engenharia do exército, a criança não quis nascer logo, passou-se horas, uma noite inteira, madrugada adentro... ela sozinha, não podia ter acompanhante. Não se falava em direitos da gestante, precisava fazer parir e pronto, sob qualquer condição.




O dia seguinte sofreu tanto quanto, andava léguas pelos corredores. Á tarde, decidiram [por ela] que seria feita uma cesárea, não esperava. Nasci às 15.40h, ela certamente chorou, me olhou e fez uma oração baixinho, talvez gesticulou os lábios, mas eu sabia: seríamos felizes juntas!



E como fomos! ♥♥


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

O que fiz e o que quero fazer? Manual prático de sonhos 2014 - 2015


Prometi a mim mesma fazer uma retrospectiva de 2014, seguida de objetivos para 2015... antes de findo o ano passado. Pois é, nem deu!

Mas antes que eu vagueie sem muito rememorar ou sequer reavivar os sonhos, vou tentar nesse post de pleno fevereiro, me redimir comigo mesma :)

2014 foi um ano cheio de grandes acontecimentos: Kaylinha começou a andar no início do ano, assim como deixou de mamar na sequência; viajamos ao Rio em família (e que lindeza de lugar é esse? necessitamos voltar urgente!); muitas saudades daqueles que já não estão nessa vida nos preencheram; teve caba rotulando 'mulheres que mereciam ser estupradas'; rolou Marco Civil, copa do Mundo de Futebol, eleições presidenciais e para governador (diga-se de passagem foi tensa e divisora em muitos aspectos), ativismo negro, de cabelo, feminista, nordestino, de dados abertos, etc etc; Kaylinha passou a falar (e muito!) e brincou muito (fantasiou-se, pulou marchinha, brincou de água, areia, praia, parque, teatro... ); muitos encontros e desencontros; grandes perdas na literatura, música e outras artes; amigos que casaram, que tiveram filhos, inciaram projetos, encerraram outros, muitos a apoiar, tantos apoiadores; enfim, sobrou aprendizado!

Para 2015, espero:


  • melhor organização financeira;
  • envolver-se mais com o outro;
  • leituras saudáveis;
  • explorar o universo;
  • deixar o sedentarismo;
  • ser mais decidida;
  • abraçar causas locais;
  • engajar-se em causas mais abrangentes;
  • escrever com frequência;
  • aplicar desescolarização;
  • alavancar empreendimento;
  • viajar ao menos duas vezes (uma em família e outra romântica).


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Tempo, meu amigo, favor me aguardar!


Um novo ano se iniciou que, agora, nem é mais tão novo, e tenho tido dificuldades em acompanhar esse meu querido amigo. Impedida de repetir que 'não tenho Tempo', esse precioso tem me escapado sem piedade. Falta de planejamento ou de organização? Pode ser. Apesar de fazer dezenas de listas, fazer uso de alguns tantos apps (wunderlist, evernotes, trello, ...), indefinidamente me pego atolada em tarefinhas e tarefonas intermináveis que insistem em extrapolar o meu queridinho Tempo.


Mas fazendo uma breve retrospectiva, percebo que o mesmo tem sido bem aproveitado, porém, justamente por atividades não planejadas. Essas que preenchem as lacunas inexistentes são, em sua maioria, demandadas por minha pequena. Brincar e brincar e brincar são seu mantra e a mamãe aqui não ousa recusar, em alguns casos até adiar, mas dar negativas a uma coisinha linda de dois anos que com o olhar mais doce inicia os pedidos com 'per favor mamãe'?! Onde os frios não têm vez...



Ontem, ao chegar em casa, mal pude descer do carro e ouço 'Viva! Viva! mamãe chegou!', nesse instante o cansaço se esvai, as queixas de trânsito se dissolvem e o que persiste é apenas a vontade de satisfazer todos os mínimos desejos daquele serzinho constituído de puro amor. Sou 'arrancada' pela mão do carro, conta-me das mil e uma astúcias que aprontou com papai, em palavras soltas, impossível respirar com tanta expectativa. Aponta a bola que imediatamente chuta e já chama pra mamãe tocar de volta, grita goooool ao bater entre as pernas de uma cadeira. Na sequência, sobe na 'motoca' e pede pra empurrar, sai descendo ladeira abaixo com as perninhas tentando controlar o pedal e o estrondo da batida na parede é abafado pela gargalhada deliciosa de quem ainda pretende repetir o feito inúmeras vezes... Ou nem tantas, pois lembra-se de mostrar à mamãe o novo vídeo que descobriu no youtube com o papai, senta-se na esteira, pede pra que eu faça o mesmo, pula no meu colo, agarrada ou melhor colada, rosto com rosto e assim, paradas olhando para tela do computador, sentadas sob a esteira de palha, eis que solta:

- 'tô tão feliz, mamãe'!

Nenhum segundo é perdido, toda procrastinação vale a pena, meu querido Tempo, tudo em ti pode esperar, menos momentos como esses...






sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Um Digno Centenário


Ontem, completou-se o centenário de meu voinho, Inácio Ferreira do Carmo. Homem simples, que dedicou a vida aos saberes e valores morais de sua descendência com o afinco daqueles que têm os direitos mais básicos privados.

Num relato tão cheio de sensibilidade e valor histórico para sua descendência, meu tio Gera homenageia de forma concisa, mas emocionante, a trajetória desse guerreiro que nos origina:

Exaltação a um Centenário de Nascimento


Hoje, ao se completarem os 100 (cem) anos do nascimento de INÁCIO FERREIRA DO CARMO, registramos que seus 47 descendentes entre filhos, netos e bisnetos- alcançaram o terceiro milênio honrando o seu nome e louvando o seu esforço por propiciar a todos a oportunidade de vida digna.
O seu nascimento ocorreu no dia 06 de novembro de 1914, numa casa de taipa, em terras da zona canavieira do Estado de Pernambuco, onde o seu pai JOSÉ FERREIRA DO CARMO casado com VICÊNCIA MARIA DA CONCEIÇÃO - trabalhava como cambiteiro de engenho.
O CENÁRIO
Para aquela e tantas outras crianças nascidas na primeira quadra do século XX, a realidade era desoladora: A mortalidade infantil ceifava prematuramente a vida da maioria dos recém-nascidos; não havia antibiótico; a penicilina só seria descoberta em 1929 e chegaria ao Brasil em 1940. Aquela fatídica e cruel realidade determinaria que INÁCIO seria o único sobrevivente entre 15 irmãos.
Não havia estradas rodoviárias, já que também não havia automóveis. Os primeiros e raros veículos importados nos primeiros anos do século só circulavam nas principais cidades e chegariam a algumas capitais do Nordeste entre 1920 e 1929; Em 1928 seria pavimentada a primeira estrada entre o Rio de Janeiro e Petrópolis. As rodovias só vieram a prosperar no Brasil a partir de 1940 e muito mais tardiamente no Nordeste.
Não havia transmissão rádio; a primeira transmissão viria a ocorrer em 1919; Os Telégrafos - único meio de comunicação rápida - apenas ligavam algumas capitais.
As comunicações interioranas e o transporte de cargas eram feitos por tropeiros, almocreves, mascates ou caixeiros viajantes.
Quatro séculos de descaso com a educação haviam mantido a esmagadora maioria da população no analfabetismo, principalmente nas zonas rurais; não havia perspectivas de ascensão cultural e econômica aos nascidos pobres. Os patrões tinham interesse na manutenção daquele estado de ignorância que facilitava o seu domínio num mercado de trabalho sem leis.
O isolamento cultural condenava as crianças, logo cedo, a se tornarem miniaturas de adultos e a aprenderem os seus ofícios, para logo serem continuadoras dos pais que, por sua vez, já eram continuadores dos avós, no jeito de ser e de viver.
A MUDANÇA
Seria necessário contrariar a lógica daquele tempo para alimentar sonhos e encontrar forças para torná-los realidade. INÁCIO DO CARMO (como ficou conhecido) teve e alimentou o sonho de quebrar aquela lógica; encontrou forças ante a negativa, do “senhor de engenho”, em autoriza-lo a frequentar uma escolinha rural. Diante da afirmativa do “senhorio” de que “o lugar daquele menino é no eito”. JOSÉ DO CARMO apoiou o filho, abandonou o trabalho e a moradia, seguiu a rota dos tropeiros em direção do Estado da Paraíba e conseguiu acolhimento às margens do Rio Paraibinha na confluência do Rio Paraíba, Município do Ingá.
Ali, INÁCIO foi alfabetizado numa escolinha noturna, à luz de lamparina, a despeito dos seus estafantes afazeres diários. As luzes que se acenderam em sua mente transformaram-se em farol a iluminar a sua longa caminhada em busca de melhor futuro para si e para a família que haveria de estabelecer.
A VIDA
Dedicado exclusivamente ao trabalho, juntou algumas economias e dedicou-se ao incipiente comércio local à margem da trilha dos viajantes. Adquiriu pequena propriedade e investiu na agricultura e pecuária. Em suas viagens, em busca de produtos, adquiria livros úteis ao seu aprendizado; em pouco tempo tornou-se o principal intermediário entre a capital do Estado e as populações diluídas nos minifúndios ou homiziadas nas fazendas da elite rural.
Pelas suas mãos circulavam os gêneros alimentícios, os instrumentos de trabalho dos artífices, os variados tecidos e ainda as vacinas, a penicilina e outros produtos homeopáticos e farmacêuticos, minimizando as principais carências locais.
Aos 22 anos casou-se com MARIANA FRANCISCA DA SILVA, mulher de fibra com quem deixou uma descendência, a quem dedicariam todo o fruto do seu trabalho; os seus objetivos e esperança eram de que a nova geração rompesse aquele círculo vicioso de ignorância e pobreza que estavam a superar.
Tornou-se conhecido em todos os lugarejos, vilas e distritos; foi solidário nas dificuldades, concedendo crédito sem vantagens a todos os trabalhadores que enfrentavam dificuldades pelo flagelo das secas; não tinha inimigos nem desafetos.
Contribuiu significativamente para a manutenção da Escola e construção da Capela rural que exerceriam grande influência na formação moral e cívica da nova geração.
Vivendo na simplicidade, não ambicionou acumular riquezas; teve perdas, mas não se dobrou diante das dificuldades; foi humilde, sem subserviência.
Na década de 50 deixou a área rural e mudou-se para a capital com o objetivo de apoiar a continuidade dos estudos dos filhos. Deu exemplos de paciência, perseverança, persistência e honestidade.
Despediu-se da vida terrena em 08 de maio de 2007; 22 dias depois a sua fiel e dedicada esposa o acompanhou na grande jornada. Não deixaram fortuna material; deixaram o tesouro dos seus exemplos de dedicação à família, bem educada, que lhe será sempre grata pela inalienável herança.


João Pessoa, PB 06 de Novembro de 2014


José Geraldo da Silva